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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Um breve comentário sobre as eleições






         Embora pareça retórico não posso deixar de tecer aqui no blog alguns comentários sobre as eleições e o posicionamento dos evangélicos. A cada eleição o cenário se repete e os temas do casamento gay e aborto se tornam predominantes. Então, os cristãos assumem uma postura limitada na qual pressupõem que o problema do Brasil se resume ao aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em relação a isso, gostaria de fazer algumas observações:
1º Quem for eleito presidente do Brasil não irá governar uma nação de 50 milhões de evangélicos, mas um país com mais de 200 milhões de brasileiros. É natural que no meio de um povo tão heterogêneo, o presidente deverá buscar e manter um governo que dialogue com todos os seguimentos, ainda que contraditórios.
         2º O grande problema do nosso país não é o aborto e nem a união civil entre pessoas do mesmo sexo! A enfermidade que deve ser varrida do Brasil é a corrupção. Sem ela, uma educação pública padrão Fifa seria facilmente alcançada (e nem precisaria aumentar a carga tributária). A igreja no Brasil parece superestimar alguns temas em detrimento de outros. Investir em educação, cultura, saúde, geração de emprego etc. é tão importante quanto se opor ao aborto. De fato, é possível evitar muito mais abortos investindo nestas coisas do que simplesmente se opondo a projetos de lei. Há uma forma mais inteligente de combater não apenas o aborto, mas também outras mazelas similares!
         3º O compromisso do governo não é com a Bíblia e nem com os princípios cristãos. Seu compromisso é com a constituição brasileira. É claro que a Bíblia contém princípios morais que se forem observados e praticados por uma nação inteira, o resultado será esplêndido. Mas, GRAÇAS A DEUS, a Bíblia não é o Alcorão e nós não somos islâmicos, somos cristãos. E como cristãos devemos ser os primeiros a erguer a bandeira da democracia. Naturalmente, uma democracia fundamentada em valores eternos e princípios morais, mas que continua sendo democracia. Portanto, um governo que se vê pressionado por setores da sociedade, tende a no mínimo, dialogar com tais setores, contanto que suas reivindicações não firam a constituição.
         4º Eleger cristãos não significa que teremos mudanças significativas. Lamentavelmente, muitos dos candidatos cristãos são despreparados e extremamente prosélitos. Boa parte deles tem compromisso com interesses pessoais e partidários. Além disso, não sabem conviver numa democracia, porque transportam a cultura eclesiástica para a vida pública, o que é um equívoco.
         5º Além do aborto e casamento gay, há diversos outros temas relevantes que devem ser considerados na hora de avaliar um candidato e seu programa de governo. Alguns assuntos são cruciais como combate à corrupção, reformas (política, tributária, agrária), economia, investimentos em educação, saúde, geração de emprego, combate à violência etc. Apesar desses temas serem extremamente relevantes, os cristãos ignoram e acham que um presidente vai governar o Brasil pensando exclusivamente em lidar com a questão do aborto e do casamento homoafetivo.
         6º Dilma não é Jezabel, Lula não é Acabe e não existem mais profetas como era Elias no Antigo Testamento. De fato após 12 anos no poder, não há mais o que se esperar do PT. Já tiveram sua cota e o rodízio de poder é uma premissa básica numa democracia. O fato do PT lutar contra os princípios morais objetivos não deve ser motivo de espanto. Eles possuem um compromisso ideológico oposto ao dos cristãos e deixaram isso claro há muito. Sendo assim, devemos recorrer às alternativas que se apresentam. Não é preciso transformar Dilma e Lula em demônios.
         7º Na época em que Jesus esteve entre nós e também na época do ministério apostólico de Paulo e Pedro, havia inúmeras práticas pecaminosas equivalentes a estas que hoje os cristãos tanto protestam. Mesmo assim, não se observa nenhum deles se dedicando a combater tais práticas. Nem o Senhor Jesus, nem Paulo, nem Pedro, nem qualquer outro apóstolo assumiu uma briga pessoal contra os praticantes do homossexualismo e do aborto. Isso não significa que essas práticas sejam corretas ou que eles foram omissos. Significa apenas que devemos dar atenção à santidade e não ao pecado. Devemos intencionar a salvação do pecador e não focar no que ele pratica. Devemos buscar sua salvação e não sua condenação. Foi isso que o Senhor Jesus fez. Sempre atraiu o pecador ao arrependimento, jamais o afastando para longe. Obviamente em nossa sociedade moderna há situações que exigem um posicionamento mais enérgico como foi o caso do PLC122. Contudo, isso não acontece o tempo todo.

         O Brasil não precisa de proselitismo evangélico, precisa de uma igreja que o ame de verdade e que assuma o compromisso de influenciar a nação da forma mais digna e coerente possível. Infelizmente, o amor proselitista ainda é maior e o apelo institucional é predominante. Parece que os cristãos não estão defendendo a vida e a família quando se opõem ao aborto e casamento gay. Estão defendendo uma causa institucionalizada, ou seja, apenas por que a instituição que eles fazem parte se opõe a estas questões então eles também se opõem. Parece que para os cristãos, defender suas instituições é mais importante do que defender os princípios eternos do Evangelho de nosso Senhor Jesus. Talvez um dia a igreja cresça e como resultado desse crescimento e maturidade, a nação brasileira experimente uma transformação digna do Evangelho. Enquanto esse crescimento não chegar, qualquer transformação e mudança jamais estarão a altura do Evangelho. Será apenas superficial.

Um abraço a todos.

Marconi BS Costa





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