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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Igrejas apostólicas e pastorais – diferenças gritantes




       Antes de ir direto ao assunto, me permita uma breve introdução. A igreja evangélica brasileira acabou adotando um comportamento infantil relativamente recente: seguir modas e tendências. Anos atrás, raríssimos homens ousariam se autointitularem apóstolos. Dado o peso bíblico que esta palavra carrega, seria um atrevimento praticamente inaceitável alguém se autodenominar assim. Contudo, de uma hora pra outra, muitos que eram pastores se tornaram apóstolos e ninguém sabe direito como e porquê. O fato é que virou moda ser chamado de apóstolo no Brasil e isso sem nenhum critério bíblico claro e rigoroso. Para um país que quase não tinha nenhum pregador do Evangelho com esse título, é de se estranhar essa explosão de ‘apóstolos’ nos anos recentes.


         Infelizmente o nível destes apóstolos atuais passa a zilhões de quilômetros de distância daquele que é o maior referencial de cristianismo depois de Jesus: o apóstolo Paulo. Embora eles carreguem o título, não transmitem o conteúdo natural de um apóstolo! Se compreendessem a obra do apóstolo Paulo, provavelmente abandonariam esse título rapidamente. Outra moda não tão recente foi a igreja na visão celular. Particularmente, não tenho nada contra essa visão, mas o efeito megalomaníaco causado por ela foi estrondoso. Hoje essa moda já não é tão destacada assim. Essas modas e tendências surgem periodicamente na igreja, como se houvesse uma necessidade midiática de angariar destaque no cenário nacional. Isso distancia a igreja de seu verdadeiro fundamento: a Palavra de Deus. Métodos não são fundamentos, não são princípios e não são os objetivos. Métodos são métodos, e não há nenhum que seja universal, absoluto e irrefutável. Viver a Palavra de Deus em Sua plenitude é o melhor método para a igreja atrair os pecadores a Cristo. Porém, tendo em vista que este “método” exige um nível disciplina altamente elevado, as pessoas preferem aderir a outras técnicas de marketing mais eficientes.
         Considerei essa introdução necessária para que o leitor não pense que fui impelido a escrever sobre o tema por ter sido influenciado pela moda evangélica (a moda de chamar todo mundo de apóstolo). E pasmem: até mesmo ‘apóstolas’ estão sendo consagradas ao ministério. Quanta bizarrice!
Minha motivação em escrever não tem nada relacionado com isso. Coisas como “pés apostólicos”, “ano apostólico”, etc. não possuem fundamento bíblico. Tudo isso é apenas fruto da moda. Minha motivação em escrever recai sobre o fato de reconhecer que há sim unção apostólica e igrejas com forte caráter apostólico que as diferencia de igrejas pastorais. Nessas coisas sim, eu acredito. Creio em unção apostólica, assim como creio em unção profética, evangelística, pastoral e de ensino (Ef 4.11).


         Não é tarefa difícil distinguir e diferenciar uma igreja pastoral de uma apostólica. Há características básicas que as diferencia. Porém, deve-se prestar atenção que estas características não são artificiais, são espontâneas. Tem muita gente fazendo coisas apenas para atrair atenção e ganhar alguma notoriedade, sem seguir a verdadeira vocação do seu chamado. Ou seja, fazendo coisas por mero modismo e por que fica bem na ‘fita’. Assim, uma igreja pode ser essencialmente pastoral e desenvolver atividades apostólicas por mero modismo e não por visão original de Deus. Por outro lado, uma igreja apostólica pode se limitar a ser uma igreja pastoral por causa do medo ou por outro motivo qualquer. Dito isto, vamos ao que interessa!

Igrejas pastorais

- Normalmente não levantam nenhum outro chamado ministerial além de pastor;
- Não iniciam nenhuma igreja em outros locais;
- Não enviam e nem sustentam nenhum missionário;
- Possuem um número limitado e uma certa rotatividade de membros.

Igrejas apostólicas

- Normalmente desenvolvem vários chamados além do pastoral;
- Iniciam igrejas locais em várias regiões;
- Enviam e sustentam missionários;
- Erguem ministros com certa frequência;
- Tem um número maior de membros;
- Possuem estrutura espiritual e financeira consistente;
- Tem grande foco na doutrina e nos fundamentos da Palavra.

         Estas diferenças são vocacionais e dificilmente são perceptíveis para o público. Você pode encontrar igrejas pastorais fazendo tudo que é intrínseco a uma igreja apostólica, e ainda assim ela continua sendo pastoral. Não é o fazer que determina a diferença, é o ser. Você não precisa fazer nada para ser o que Deus quer que você seja, basta apenas você ser e então irá fazer naturalmente e espontaneamente o que Deus quer. Apesar do modismo normalmente definir a postura que a igreja vai adotar, o resultado pleno só é obtido quando ela segue a vocação dada por Deus. Não adianta tentar ser aquilo que você não é ou tentar ser aquilo que Deus não quer que você seja! Fazer coisas apenas por vaidade não produz frutos significativos, apenas resultados superficiais.
    Por fim, deve-se considerar que estas diferenças são essencialmente vocacionais. Não dependem tanto das pessoas, mas do poder que opera sobre elas em seu chamado. Por isso, há igrejas com visões locais enquanto outras possuem visão regional/universal. Para quem tem um chamado dentro dos 5 dons ministeriais, uma igreja apostólica é provavelmente muito mais atraente que uma pastoral. Para quem não tem chamado ministerial, uma igreja pastoral provavelmente suprirá todas suas necessidades espirituais que, diga-se de passagem, serão mínimas.

Um abraço a todos.

 Marconi BS Costa

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