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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

“Troféu” promessas



O “Troféu”promessas, evento da música gospel recentemente promovido pela rede Globo, gerou uma série de polêmicas entre os cristãos. Alguns criticam o simples fato da polêmica existir como se tal evento fosse a maior e mais brilhante oportunidade de pregar o Evangelho. No entanto, uma análise imparcial pode trazer à tona algumas verdades inconvenientes.
Sempre torci e continuo torcendo e vibrando com o crescimento da igreja evangélica no Brasil. Acredito que chegou a vez da América Latina para os grandes avivamentos mundiais e que o Brasil ocupa lugar de destaque neste cenário trazido pelo Espírito de Deus. No entanto, me preocupo com o rumo que algumas coisas estão tomando.
Indiscutivelmente, está na moda ser crente e o impetuoso crescimento do universo gospel está invadindo o nosso amado país. Porém, devemos levar em conta que o que está na moda não é a santidade, a oração, o amor, a honestidade, a transparência, a humildade, a caridade, a simplicidade, etc. (é preciso ser muito tolo para acreditar que os genuínos valores cristãos estão na moda nesse movimento gospel). O que está na moda é um mercado altamente lucrativo no qual as empresas seculares estão muito interessadas! E não são apenas as empresas seculares, as indústrias cristãs também não querem perder a fatia gorda do bolo! Portanto, não deve o cristão pensar que o simples fato do número de evangélicos crescer no país significará benefícios à nação. Se os princípios do Reino de Deus estiverem no centro desse crescimento e for o alicerce desse avanço, então o resultado pode ser bastante positivo. Porém, a história parece outra!
É sabido há séculos que a Globo ridiculariza frequentemente dos evangélicos em suas principais programações. Nunca um evangélico ou mesmo um conceito genuinamente cristão foi exposto de forma decente por esta emissora. Por outro lado, sempre que um católico ou um espírita aparece nas programações globais, ambos são exibidos de forma coerente, inteligente, serena, equilibrada e gentilmente atraente. A apologia ao catolicismo e ao espiritismo é intensa e maciça. Logo, qual seria a intenção da emissora no universo gospel?
Num momento estratégico em que a rede Record teve sua audiência abalada por causa das reportagens maldosas sobre evangélicos, a Globo sai na contramão e se aproxima do mercado go$pel! Já está claramente comprovado que os evangélicos do Brasil podem erguer ou derrubar a audiência de qualquer emissora. São mais de 50 milhões e muitos outros milhões estão por vir!  O interesse global, é claro, está na audiência e na grana que esse contingente pode proporcionar! Jamais a emissora demonstrou qualquer inclinação à pregação genuína do Evangelho. Porém, um show gospel é muito mais atraente para suas estratégias. Confesso que já fui para um show evangélico e nunca mais pretendo ir prá outro! A quantidade de carnalidade que se presencia nos faz duvidar se o que está sendo feito é de fato cristão!
Agora surge a pergunta inevitável: a intenção da Globo é relevante? Tendo em vista que tal evento pode ser usado como oportunidade prá pregar o Evangelho de Cristo, os interesses globais importam? A resposta não é absoluta! Se o verdadeiro Evangelho de Cristo for anunciado de forma pura e genuína, então podemos dizer que a intenção da Globo não importa. Contudo, se o que se vê é apenas um festival de exibicionismo, vendas de material, lucros, dinheiro, vaidade, etc. então devemos nos preocupar (II Co 2.17).
Levando em consideração que dinheiro, luxo, fama, cargo, poder, influência, controle, ostentação, vaidade, popularidade, etc. são coisas que estão embriagando a igreja e cegando o seu entendimento, estes “troféus” podem ser perigosos, pois tira do foco a Pessoa adorada e põe o adorador no centro das atenções. Observando com cuidado o alto padrão de vida que muitos ministros e cantores do Evangelho buscam freneticamente, podemos afirmar com razoável precisão que eventos dessa natureza contribuem mais para glória humana do que para exaltação divina. Se tivéssemos dignidade suficiente e não buscássemos sair do anonimato tão desesperadamente, os evangélicos dariam uma grande lição à rede Globo e só passariam a dialogar com ela depois que tivéssemos o devido respeito e reconhecimento. Infelizmente, a coisa mais fácil do mundo é comprar os evangélicos com eventos, shows, cargos, dinheiro, posição, glória e outros artifícios desprezíveis.
Infelizmente, o que a Globo oferece coincide com os interesses de muitos líderes cristãos: a tão sonhada visibilidade global! Olhar para toda essa situação e não enxergar nada disso só é possível em dois casos: para o ingênuo ou para aquele que se faz de ingênuo. Os ingênuos puros de coração não têm culpa, pois não aprenderam ainda que a simplicidade da pomba deve ser acompanhada da prudência da serpente (Mt 10.16), os quais acabam desconsiderando outros princípios bíblicos (At 17.10-12; At 20.29,30; Rm 16.17,18; I Co 14.20; II Co 11.13-15; I Jo 4.1-3). Mas aqueles que se fazem de ingênuos são covardes, interesseiros, mentirosos e fingidos. São covardes por que não se posicionam, interesseiros por que estão visando alguma vantagem futura, mentirosos por que expressam pensamentos, opiniões e convicções que de fato não possuem e fingidos por que assumem uma postura no contexto eclesiástico e outra no contexto pessoal (II Co 6.6; Tg 3.17).
É preciso considerar que há equívocos que fazem parte do nosso ponto de vista pessoal, mas também há outros que fazem parte de agentes externos. Criar um mundo perfeito de fantasia no qual toda igreja é santa, pura e honesta, é uma alucinação que pode custar caro quando se depara com a realidade. Supor que o pecado está sempre na maneira como enxergamos as coisas e nunca em como as coisas realmente são, não é espiritualidade e nem ingenuidade, é tolice e faz de conta. Esse tipo de ilusão é criada e alimentada para camuflar a realidade e tirar o foco da verdade. Em nenhum lugar do Evangelho somos encorajados a viver uma vida de fingimento e hipocrisia. Veja como Paulo confrontou Pedro quando percebeu que o comportamento deste se tornou reprovável (Gl 2.11-14). Veja também como Pedro reagiu quando as pessoas estavam sendo tratadas com parcialidade (At 6.1-7). Veja como o profeta Natan se posicionou com o pecado de Davi (II Sm 12.1-15). Fingir que a igreja não estava sendo tratada com parcialidade ou fingir hipocritamente que Pedro não estava errando seria uma tolice. Paulo jamais se acovardaria como muitos da atualidade. Crescimento não vem quando acertamos, o crescimento resulta quando localizamos, reconhecemos e corrigimos os nossos erros e equívocos (Fl 3.12-16).
A Bíblia não esconde as mazelas de ninguém! Veja os seguintes exemplos: Davi (II Sm 11), Sansão (Jz 16), Saul (I Sm 22.6-19; 28), Salomão (I Reis 11), etc. Portanto, se a igreja deseja pregar o Evangelho na rede Globo, então que faça o seguinte: compre um horário definido e então pregue o genuíno e verdadeiro Evangelho. Porém, duvido que a Globo queira vender um horário para a verdadeira divulgação do Evangelho de Cristo. No fundo, creio que isso vai acontecer por obra do Espírito Santo! Não sou contra o “troféu” promessas, sou contra a postura da igreja que mais parece um mendigo desesperado por migalhas. A igreja precisa da Globo para divulgar o Evangelho? O crescimento do Evangelho no Brasil em algum momento dependeu da Globo? A verdadeira igreja de Cristo deixou de avançar por que a Globo não deu apoio? Acredito que a oposição e a perseguição são mais eficientes para o avanço da igreja. Uma parceria com a Globo pode ser muito perigoso. Sempre que o mundo se aproxima da igreja, a igreja sai perdendo. Em que sentido o "troféu" promessas poderia ser útil? SERIA ÚTIL SE A IGREJA USASSE O "TROFÉU" E NÃO QUANDO O "TROFÉU" USA A IGREJA!


Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

Um comentário:

  1. Muito bem colocado, irmão. Quem tem ouvidos, ouça!

    Um grande abraço.

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