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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Devemos esperar o melhor, mas estar prontos para o pior



        Eu gostaria muito ter aprendido essa verdade em algum curso, lido em algum livro ou recebido em alguma mensagem. Porém, tive que aprender da pior forma possível: na prática. Entender e aceitar que há situações que minha fé não muda, foi desafiador. Sempre aprendi um triunfalismo que me colocava numa condição suprema de superioridade. Foi então que me deparei com um episódio o qual fui incapaz de lidar: a morte do meu pai. Aquilo foi devastador para mim e para a minha fé. Quando compreendi que há coisas que minha fé não muda e não é responsabilidade dela mudar, descansei.
        Fui atormentado por um tempo, levado por um sentimento de culpa e fracasso que me condenava por não ter fé suficiente para reverter aquele cenário. No entanto, percebi bem depois que há fé para mudar situações e há fé para suportar situações. Eu só tinha sido ensinado sobre a fé que muda os eventos, nada tinha aprendido sobre a fé para tolerar circunstâncias.
        Sempre passo por episódios cuja maturidade necessária para afrentá-los vem anos depois. É uma sensação intrigante: sempre estou atrás do crescimento, um eterno vir a ser, algo a alcançar. Quando desenvolvo plenas condições de enfrentar as circunstâncias, elas já passaram há anos. Isso me levou a certo cansaço e me fez desistir de querer ser maduro demais, o que por sua vez produziu descanso em minha alma. Aquela busca incessante por uma condição de plenitude trouxe desgaste.
        Em relação à fé para suportar privações, ela já estava registrada no novo testamento, eu apenas não tinha percebido. Considere o conteúdo do 11° capítulo da carta aos hebreus. Do versículo 1 até a parte a do 35°, só se contemplam vitórias, sucessos e triunfos. Da parte b do 35° versículo até o 40°, não são registrados fracassos, mas provações suportadas por meio da fé. O texto fala em indivíduos que suportaram torturas, perseguições, privações, zombarias, prisões, apedrejamentos, morte etc. Qual é o papel da fé em eventos dessa natureza? Como deve reagir um homem de Deus ao ser submetido a um tratamento vip como esse? Nestes casos, o objetivo da fé é sustentá-lo e fazê-lo permanecer firme em Deus apesar da oposição (Hc 3.17-19). Há circunstâncias que sua fé não irá mudar, mas sustentará você e preservará uma relação saudável com Deus. Você não ficará frustrado ou decepcionado, se manterá firme e seguro por meio da fé no Criador.
        Aprendi com Habacuque: mesmo em cenários totalmente desfavoráveis, é possível se alegrar em Deus (Hc 3.17-19). Esta é sem dúvida uma condição de maturidade não trivial. Ainda que não haja mudança por fora, há alegria por dentro. Ou seja, é possível suportar situações e ainda assim se alegrar em Deus durante os eventos. Cultivar bonança interna enquanto uma tempestade violenta se desenrola externamente, também é função da fé. Contudo, essa é uma fé sem show pirotécnico, pouco atrativa, algo que ninguém vê e talvez por isso os indivíduos que a praticam são tão ignorados. Esse não é um aspecto da fé apreciado e contemplado pela igreja. Se não houver um show de pirotecnia, então sua fé será desprezada pelos animadores de auditório da atualidade.
        Durante o período no qual enfrentei um dos momentos mais difíceis da minha vida, confesso que não consegui praticar a fé que se alegra na oposição, mas aprendi a suportar com paciência (Tg 1.12).  Aprendi a não me entregar ao desespero. Percebi naquela circunstância que alguém precisava mais de mim do que eu dele. Esse foi um exercício formidável, apesar de doloroso. Quem sempre está precisando de suporte e nunca oferece assistência a outrem, é criança, infantil, mimado e imaturo.
        O apóstolo Paulo parecia conhecer bem a fé para suportar oposições quando redigiu II Co 4.8-12. Nesse breve texto ele fala em tribulação, perplexidade, perseguição, abatimento etc. Ainda bem que Deus nos entende! Se o Senhor nos reprovasse por ficarmos perplexos, abatidos ou algo do gênero, quase ninguém seria recompensado. Há aqueles que fingem ser o que não são. Fingem possuir uma fé e uma condição espiritual maior do que aquelas que realmente demonstram, e transmitem uma imagem surreal e ilusória. São superficiais, obcecados pela aparência e desprezam o conteúdo.
        Se você passar por algum episódio que lhe deixe triste, não se condene (Tg 5.13). Lógico, há aspectos sobrenaturais associados à fé que só podem ser vividos e explorados por muita ousadia e intrepidez. Porém, a maioria dos mortais não acessa esse nível, e muitos que tentam acessá-lo o fazem de modo superficial. Você pode até se alegrar na tribulação, mas não será condenado se não conseguir. E não precisa ficar se culpando. A fé para mudar circunstâncias e a fé para suportar circunstâncias, tem a mesma fonte, o mesmo Autor (Hb 13.1-3).
        E uma última palavra para o leitor não ficar triste: a fé para suportar a provação não é frequentemente solicitada. São ocasiões bem específicas que nos desafiam a viver bem quando tudo (ou quase tudo) vai mal. Na maioria dos episódios que confrontarem sua vida, você deverá acionar a fé para mudar a situação. Você deve ficar atento e ser cuidadoso para identificar cada caso. Além disso, não se preocupe em exibir para as pessoas uma fé que no fundo você não possui. Se não estiver crendo de fato, busque desenvolvê-la com paciência e profundidade. A maioria dos mortais alcança as bênçãos do Criador não por sua própria fé, mas pela graça, favor e bondade d’Ele. Nosso Pai é gentil, amoroso e compreensivo, os indivíduos é que são cruéis. Portanto, descanse no amor d’Ele sem culpa ou condenação. As pessoas não merecem uma satisfação absoluta e irrestrita de sua vida. Não viva em função delas e não atenda a todas as expectativas que elas têm a seu respeito. Fique nos braços do Seu Criador.

Marconi BS Costa




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